MPC investiga possíveis irregularidades em mural derretido da Prefeitura

MPC investiga possíveis irregularidades em mural derretido da Prefeitura

Embora assinada pelo renomado artista Eduardo Kobra, obra foi orientada a distância; órgão vai pedir que a obra seja restaurada pelo próprio autor 

O Ministério Público de Contas de Roraima (MPC/RR) informou que, após tomar conhecimento de denúncias relacionadas à deterioração precoce do mural artístico inaugurado em dezembro de 2020 ao custo de R$ 400 mil, no Parque do Rio Branco, em Boa Vista, instaurou Procedimento Investigativo Preliminar (PIP) para apurar possíveis irregularidades na aplicação de recursos públicos.

Procurado pela reportagem do Política Macuxi, o órgão informou, em nota, que será feito pedido para que a obra seja devidamente restaurada, com a solicitação de passagens para que o profissional responsável a faça pessoalmente, visto que se trata de um serviço contratado por meio de inexigibilidade de licitação.

No final do ano passado, o MPC ingressou com representação para paralisação das obras do Parque do Rio Branco, e da “Selvinha Amazônica” situada no local, após constatar indícios de irregularidades. O órgão afirma que permanece investigando demais contratações relacionadas àquele local.

Questionados pelo Política Macuxi, o Tribunal de Contas de Roraima (TCE) e o Ministério Público de Roraima (MPRR) não responderam se o dano da obra pode ser objeto de investigação pelos órgãos fiscalizadores em questão.

Tapumes

A iguana gigante, pintada pela equipe do artista com orientações remotas, custou R$ 400 mil e ocupa um espaço de 180 metros, na lateral esquerda do parque. A imagem está praticamente desmanchada. Nesta sexta-feira (23), o local apareceu coberto por tapumes.

Em outros trechos do parque, também é possível perceber que os outros murais que compõem o espaço estão com rachaduras. A prefeitura apresentou edital para selecionar obras de artistas locais e pagou R$ R$ 6 mil para cada um dos 25 artistas inscritos.

Ao todo, cerca de R$ 134,4 milhões foram gastos para construir o parque. Desse valor, aproximadamente R$ 40 milhões foram de contrapartida do município. A inauguração, feita dois anos após início das obras, teve aglomeração em meio a pandemia.

Políticos criticam gasto da prefeitura 

Políticos usaram as redes sociais para criticar o que chamaram de falta de planejamento e mal uso dos recursos públicos pela Prefeitura de Boa Vista. As críticas foram desencadeadas pelos murais do parque do Rio Branco, em especial, a obra feita a distancia por Eduardo Kobra, artista reconhecido internacionalmente, e que se deteriorou apenas quatro meses após a inauguração do parque, em dezembro do ano passado.

O senador Telmário Mota (Pros) apontou que os recursos utilizados para obra poderiam ter sido gasto na saúde. Assista ao vídeo:

O deputado federal Ottaci Nascimento (SD) classificou a obra como um prejuízo para a população.

A deputada federal Shéridan Oliveira (PSDB) disse estar triste com o episódio e cobrou posicionamento dos órgãos fiscalizadores.

O sociolólogo e ex-vereador Linoberg Almeida (Rede), um dos principais opositores à gestão de Teresa Surita, prefeita de Boa Vista à época da inauguração, pontou que faltaram estudos para saber se a parede que iria receber a obra estava com algum dano.

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