Secretário diz que apesar de receber milhões, Saúde precisa de intervenção federal

Secretário diz que apesar de receber milhões, Saúde precisa de intervenção federal

Um ofício encaminhado via SEI, do dia 15 de maio, pelo secretário de Saúde Olivan Junior para o governador Antônio Denarium e vazado para a imprensa, movimentou o meio político na noite deste domingo.

O teor desesperado do relato, que fala a todo momento em colapso na saúde, com a chegada do pico da pandemia ao estado, demonstra que a crise que se instalou na saúde pública de Roraima não terá conserto apenas com a mudança de gestão como imaginava o governo de Roraima.

No ofício, o secretário pede a intervenção federal no estado e afirma que os interesses não republicanos e a instabilidade do cenário político por conta da
tramitação do pedido de impeachment do governador, em andamento no Poder Legislativo Estadual, dificulta a Gestão.

“Esta Secretaria recebe vultosas quantias de recursos federais, provenientes dos repasses e do Fundo de Saúde, além de recursos decorrentes de convênios e outras rubricas para suprir as carências na área de saúde do Estado, mas o passivo existente e o histórico de contratos irregulares emperram o cumprimento de obrigações financeiras e administrativas”

Olivan Junior afirma que fará um choque de gestão e que pretende revisar os contratos irregulares, mas que encontrou um desordenamento físico, estrutural e clínico, além de irregularidades e interesses pouco republicanos.

“Sugerimos a vossa excelência, que solicite a imediata intervenção federal na saúde de Roraima, uma vez que nossas ações padecem de tempo e recursos humanos, para enfrentar a crise que se aproxima. Ainda podemos salvar muitas vidas”

Falta de material e equipamento é a principal reclamação

O secretário informou ainda que existem problemas conjunturais relacionados às compras e aquisições de insumos, que estão sendo feitas para as Unidades de Saúde.

Especificou que há entraves na contabilidade financeira, para realizar boa gestão, e para contratar profissionais e que a análise de todos os contratos firmados levará muito tempo, retardando os pagamentos, o que pode levar ao Colapso.

A maior preocupação é quanto a falta de estoque apropriado e planejamento no abastecimento das Unidades de Saúde da Capital e Interior.

“Estamos planejando para esta semana uma aquisição de insumos para atendimento do Covid e do Não Covid, em grande escala, com entregas em Boa Vista – RR, no modal terrestre e em Guarulhos -SP, no modal aéreo”.

Recursos humanos são um problema, diz secretário

Para Olivan Junior, há importantes medidas que dependem da formação de equipes técnicas e comprometidas em reerguer a Sesau;

“Também precisamos equacionar conflitos de relacionamentos existentes entre os profissionais da Área de Saúde, para dotar o mais rapidamente possível as Unidades de Saúde de equipes médicas”.

Pico não chegou e transmissão comunitária é realidade

O secretário confirmou que os elevados números de casos, confirmam que a infecção no Estado, está ocorrendo de maneira comunitária, atingindo todos os municípios.

“Em função da desobediência da população pelo distanciamento social, ordenado por Decretos Estaduais, inexistem meios adequados para o enfrentamento do pico do Coronavírus, ante a previsão de escassez de leitos de UTI´s para o acolhimento e atendimento das vítimas”

Hospital de Campanha deve ser prioridade diz secretário

Olivan Junior destacou que entre as providências para conter a grave crise está a estruturação do Hospital de Campanha do Exército, que servirá como área de proteção e cuidados às vítimas.

“Assumimos o compromisso com a abertura do Hospital de Campanha. Assinamos o Termo de Cooperação para tornar público nosso interesse em buscar uma solução para a Crise do Coronavírus, embora de forma tardia a nosso ver”.

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