O delegado da Polícia Civil, Rick Silva e Silva, que atuava em Rorainópolis, no Sul de Roraima, foi preso nesta terça-feira (14) durante a segunda fase da Operação Conluio, que investiga o assassinato do empresário Edgar Silva Pereira, de 60 anos, e da esposa dele, Rossana de Lima e Silva, de 49.
O casal foi encontrado morto e com os corpos carbonizados no dia 17 de dezembro de 2025, dentro de uma caminhonete incendiada na vicinal 31, um dia após desaparecer. Segundo familiares, eles haviam saído de casa para resolver um assunto rápido, deixando os filhos, mas não retornaram.
Inicialmente, o caso foi apurado pela Delegacia de Polícia de Rorainópolis. No entanto, diante da gravidade e complexidade, a investigação passou a ser conduzida pela Delegacia Geral de Homicídios (DGH) a partir do dia 24 de dezembro.
A prisão do delegado ocorre no contexto do aprofundamento das investigações, que apontam para a existência de uma rede de pessoas envolvidas no crime. A operação é coordenada pela DGH, com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) do Ministério Público de Roraima e do setor de inteligência da Secretaria de Segurança Pública (Sesp).
As diligências seguem em andamento, com ações também em Boa Vista.
Esquema de agiotagem e conflitos
De acordo com a investigação, o casal atuava em um esquema de agiotagem, o que teria gerado conflitos com os suspeitos investigados. A Justiça aponta indícios de que havia relações conturbadas entre as vítimas e os alvos da operação.
Uma decisão da Vara Criminal de Rorainópolis, assinada pelo juiz Raimundo Anastácio Carvalho Dutra Filho, autorizou o cumprimento de mandados de busca e apreensão contra pelo menos sete pessoas, incluindo um advogado.
Entre os investigados estão:
Paulo Sérgio de Souza (advogado)
Werley Gomes de Oliveira, conhecido como “Lourinho”
Francisca Sousa do Nascimento
Antonio de Medeiros Chaves Filho
Lauro Augusto do Nascimento
Gebson Brito de Oliveira
Ualace de Souza
Segundo a decisão judicial, há indícios de lavagem de dinheiro por meio de contratos fictícios de honorários advocatícios, além de transferências suspeitas de bens, como imóveis e veículos, realizadas pouco antes do crime.
Corpos foram queimados após a morte
Laudos periciais indicam que os corpos do casal foram carbonizados somente após a morte, o que reforça a hipótese de tentativa de ocultação de provas.
“A carbonização ocorreu post mortem, visando a destruição de vestígios”, destaca trecho da decisão judicial.
Operações anteriores
Em março deste ano, uma fase anterior da investigação já havia cumprido mandados de busca e apreensão em endereços ligados a um advogado e outras seis pessoas suspeitas de participação no crime.
Agora, com a nova fase da Operação Conluio, a polícia avança sobre possíveis ligações mais profundas entre os envolvidos — incluindo agentes públicos.




