Em um estado onde grande parte dos estudantes ainda enxerga o serviço público como principal caminho profissional, o Sebrae Roraima vem apostando na educação empreendedora para apresentar novas possibilidades aos jovens dentro das escolas e universidades. A proposta da instituição é estimular, desde cedo, habilidades ligadas à inovação, criatividade, liderança e desenvolvimento de negócios, aproximando os estudantes de um mercado de trabalho em constante transformação.
A atuação ocorre por meio de metodologias aplicadas em escolas da rede pública, oficinas, jornadas acadêmicas, maratonas de inovação, hackathons e projetos desenvolvidos em parceria com instituições de ensino superior.
Segundo o analista do Sebrae Roraima, Luã Andrade, o trabalho busca aproximar os estudantes da prática e mostrar que ideias desenvolvidas ainda na universidade podem se transformar em negócios reais.
“O Sebrae atua levando metodologias ativas para os acadêmicos e também para alunos da rede estadual e municipal de ensino. A gente trabalha muito com quem está desenvolvendo pesquisa, TCC ou alguma solução que possa virar um negócio futuramente”, explicou.
De acordo com ele, o objetivo não é apenas incentivar o empreendedorismo, mas também preparar os estudantes para entender o funcionamento do mercado.
“A gente trabalha desde a validação de uma ideia até a construção de um produto mínimo viável, para que o aluno consiga testar aquela solução no mercado. Depois disso ele começa a entender sobre finanças, marketing, estratégias e posicionamento”, afirmou.
A atuação do Sebrae dentro da educação não se limita ao ensino superior. Segundo o coordenador de Educação Empreendedora do Sebrae Roraima, Tálison Magalhães, o trabalho começa ainda nos primeiros anos escolares e segue até a universidade.
“A educação empreendedora do Sebrae já atua há mais de dez anos trabalhando competências empreendedoras dentro do ensino. A gente desenvolve ações desde o ensino fundamental até o ensino superior”, explicou.
Entre as iniciativas citadas por ele estão metodologias aplicadas em sala de aula, atividades voltadas ao protagonismo estudantil e programas focados em gestão de carreira e desenvolvimento de habilidades profissionais.
“Nós trabalhamos para despertar esse comportamento empreendedor nos alunos, fazendo com que eles enxerguem o mercado de maneira diferente e entendam que podem ser protagonistas das próprias trajetórias”, afirmou.
Segundo Tálison, as metodologias são adaptadas de acordo com a faixa etária e a realidade dos estudantes.
“O Sebrae flexibiliza a linguagem e as ações para conversar com cada público de forma mais próxima. A ideia é fazer com que os estudantes entendam essas possibilidades de maneira mais acessível”, disse.
Mesmo com o crescimento das discussões sobre inovação e empreendedorismo, o Sebrae avalia que muitos jovens ainda entram na universidade pensando exclusivamente em estabilidade financeira por meio do serviço público.
Segundo Tálison Magalhães, essa ainda é uma das principais preocupações dos estudantes.
“Muitos alunos entram na universidade buscando garantir espaço no serviço público. E o que a educação empreendedora faz é mostrar que existem outras possibilidades de construir uma carreira profissional”, afirmou.
Ele explica que uma das maiores inseguranças dos jovens está ligada justamente à estabilidade.
“O que a gente escuta muito é o medo da instabilidade financeira. Muitos perguntam como vão conseguir segurança empreendendo. E a gente trabalha justamente para mostrar que toda profissão tem desafios e que empreender também pode ser uma construção sólida”, comentou.
Além disso, segundo ele, muitos universitários ainda apresentam dificuldade de planejamento profissional e posicionamento no mercado.
“Os alunos chegam inseguros sobre como se posicionar profissionalmente. Muitos têm conhecimento técnico, mas não sabem como organizar carreira, planejamento financeiro ou apresentar suas ideias”, explicou.
Entre as estratégias utilizadas pelo Sebrae para aproximar os estudantes do empreendedorismo estão eventos como a Jornada Acadêmica Empreendedora (JAE), Startup Day, maratonas de inovação e hackathons realizados em parceria com universidades e empresas.
Segundo Luã Andrade, esses eventos funcionam como uma porta de entrada para despertar a curiosidade dos jovens sobre inovação e criação de negócios.
“A gente costuma dizer que são eventos de curiosidade. O aluno chega querendo entender o que está acontecendo ali e acaba descobrindo novas possibilidades de carreira dentro da inovação e do empreendedorismo”, afirmou.
Ele explica que muitos participantes começam nesses eventos sem experiência, mas acabam se destacando durante os projetos.
“A gente coloca várias ideias dentro de uma espécie de funil. Nem todo mundo está preparado naquele momento, mas alguns alunos começam a entender o movimento e se aprofundam no desenvolvimento das próprias soluções”, disse.
Uma das iniciativas citadas por ele foi uma maratona de inovação realizada em parceria com a Jacaré Auto Peças, que reuniu estudantes da UERR, IFRR e UFRR.
“Nós desafiamos os alunos a pensar em soluções para problemas reais enfrentados pela empresa. Isso aproxima muito os estudantes da realidade do mercado”, explicou.
Outro foco das ações desenvolvidas pelo Sebrae é incentivar a criação de startups e negócios inovadores dentro do estado.
Segundo Luã Andrade, o modelo de startup ainda é pouco explorado em Roraima, mas já desperta interesse crescente entre os estudantes.
“Startup é um modelo de negócio altamente escalável e rentável. Em outras regiões do país isso já está muito forte e a gente quer disseminar mais essa cultura aqui também”, afirmou.
Ele destaca que as atividades desenvolvidas buscam mostrar aos jovens que é possível criar soluções inovadoras mesmo dentro do contexto local.
“A ideia é fazer com que os alunos entendam que eles podem desenvolver soluções para problemas reais da nossa região usando criatividade, tecnologia e inovação”, comentou.
Entre os exemplos citados está o projeto desenvolvido pela estudante Vitória Moreira, apresentado durante a Jornada Acadêmica Empreendedora. A iniciativa foi voltada à inclusão e diversidade de pessoas dentro do espectro autista.
“É importante mostrar que inovação também pode gerar impacto social e atender diferentes públicos”, destacou.
Para muitos universitários, participar de oficinas e eventos ligados ao empreendedorismo representa a oportunidade de ter contato com experiências que vão além da teoria aprendida em sala de aula.
A estudante Bianca Perdiz, de 26 anos, do curso de bacharelado em Educação Física, participou pela primeira vez de uma atividade promovida pelo Sebrae durante a Jornada Acadêmica Empreendedora.
Segundo ela, o contato com profissionais de fora da universidade ajuda os alunos a ampliarem a visão sobre carreira e mercado.
“A universidade dá uma assistência, mas ela não oferece tudo. Então é importante ter contato com experiências diferentes e aprender coisas que vão além do nosso curso”, afirmou.
Ela contou que decidiu participar após recomendação de uma professora da disciplina de empreendedorismo e destacou a importância das orientações recebidas durante a oficina de pitch.
“A palestra trouxe um norte muito legal pra gente. Ele ajudou a desenvolver ideias, trouxe experiências reais e ainda vai dar feedback individual. Isso é muito importante”, relatou.
Segundo Bianca, muitos estudantes da área acabam seguindo o caminho do empreendedorismo futuramente.
“Na Educação Física muita gente pensa em abrir academia, consultoria, escola de dança ou algum negócio próprio. Então entender como apresentar uma ideia e empreender faz muita diferença”, comentou.
Segundo Tálison Magalhães, a proposta da instituição é continuar fortalecendo ações voltadas à inovação e ao empreendedorismo dentro dos espaços educacionais, aproximando os estudantes da prática e das possibilidades do mercado.
“A gente quer que os alunos entendam que existe uma vitrine enorme de possibilidades profissionais. O Sebrae busca justamente mostrar que eles podem construir a própria trajetória e transformar ideias em soluções reais”, concluiu.



