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Sampaio acusa Jalser de exigir fim de inquérito e diz que governador sofreu ameaças

Os ânimos na sessão desta terça-feira, 21, na Assembleia Legislativa de Roraima (ALERR) estavam acirrados. Em pronunciamento no plenário, o presidente da Casa Soldado Sampaio (PC do B) acusou o deputado Jalser Jalser Renier (SD) de exigir ao governador o encerramento da força-tarefa que investiga o sequestro do jornalista Romano dos Anjos.

As exigências de Jalser teriam sido feitas ainda em novembro do ano passado, pouco mais de um mês após o crime, à época em que Sampaio era chefe da Casa Civil.

“Ele [Jalser] foi no Palácio em novembro, quando eu era chefe da Casa Civil e, espero que o governador seja muito macho para sustentar o que estou falando aqui… Quando eu recebi o deputado Jalser em um tom de desespero que solicitou que o governador extinguisse a força-tarefa que estava conduzindo o inquérito”, afirmou Sampaio.

Troca de acusações

O bate-boca sobre o sequestro do jornalista iniciou com o discurso do deputado Nilton do Sindpol (Patriotas), que acusou Jalser de ser o suposto mandante do crime e afirmou que, caso o parlamentar fosse preso, ele votaria pela manutenção da prisão e cassação de seu mandato.

Após a fala de Nilton, Jalser entrou na sessão de forma virtual e acusou Nilton de ter comprado dossiê junto ao delegado João Evangelista, titular da força-tarefa, para incriminá-lo.
Já Sampaio afirmou que, um de seus primeiros atos como presidente da Casa, em março, foi dissolver um serviço de inteligência que, segundo ele, Jalser teria criado para monitorar adversários políticos.

“Para monitorar seus adversários, para acompanhar, para fazer ‘arapongagem’ dos adversários”, disse Sampaio.

Logo depois, Sampaio diz que exonerou todos os militares, bem como os servidores envolvidos nesse sistema de inteligência. Em operação deflagrada pela Gaeco, do Ministério Público, e as Polícias Civil e Militar, ocorrida na semana passada, seis militares que eram lotados no gabinete de Jalser e um ex-servidor da Casa foram presos suspeitos de envolvimento no sequestro do jornalista.

Ameaças ao governador

O presidente da Casa afirmou, ainda, que teria presenciado a reunião de Jalser com o governador junto com militares que foram presos na operação Pulitzer, e que o governador Antônio Denarium teria recebido ameaças de morte por parte de um dos policiais.

“Ele chegou e falou: ‘Exijo que acabe esse decreto que conduz essa força tarefa e digo mais, se chegar em mim ou em algum policial chegado a mim’, e apontou para a sala de traz, onde estavam vários policiais, e disse que um dos policiais teria dito que se se chegasse até ele, dava um tiro na cara do governador e depois metia um tiro na cara dele e se matava”, afirmou.

Sampaio disse que na ocasião alertou ao governador sobre a necessidade de reforçar a sua segurança pessoal, mas que depois acabaram deixando o assunto de lado. “Até por que não sabíamos onde ia chegar o inquérito, que terminou com a prisão desses policiais, inclusive esse que segundo Jalser estaria ameaçando o governador. Acho que o governador deve reforçar sua segurança”, repetiu o parlamentar.

Outro lado-  Em nota, o Governo de Roraima lamentou a postura do deputado Jalser Renier e reiterou que toda a investigação correu em segredo de justiça, com a finalidade de elucidar o crime e não de coagir ou insinuar contexto político ou de qualquer outra ordem.

“Ademais, a operação que gerou busca, apreensão e prisões foi coordenada pelo Ministério Público que além de ter prerrogativa para a ação ainda goza de ótima reputação junto à população.
No mais, o Governo de Roraima acredita na justiça e no trabalho dos profissionais que buscam elucidar de uma vez por todas esse crime que gerou comoção na sociedade e reitera sua linha em defesa do diálogo e dos meios democráticos de discussão, condenando todo e qualquer gesto truculento”.