Nicoletti reconhece a não influência política na Polícia Federal

Nicoletti reconhece a não influência política na Polícia Federal

O deputado federal Antônio Nicoletti (PSL) publicou um vídeo e emitiu uma nota comentando sobre os trabalhos da Polícia Federal (PF) na operação Vírion, deflagrada na quinta-feira passada, 13.

No mesmo dia, o parlamentar, que também é pré-candidato à Prefeitura de Boa Vista, fez uma publicação em suas redes sociais afirmando que a intervenção só teria ocorrido após ele ter realizado, desde maio, “reiteradas solicitações à PF”.

A postagem do deputado causou um mal-estar dentro da Superintendência da Polícia Federal em Roraima, que rapidamente emitiu uma nota onde informou que que o inquérito referente ao objeto da operação Vírion foi instaurado ainda no mês de abril, antes das solicitações do parlamentar.

“Após o início das investigações foram recebidos diversos documentos e requerimentos – de órgãos federais, estaduais e de terceiros – relacionados aos fatos apurados, os quais receberam o tratamento habitual nesta unidade, nos termos dos normativos vigentes”, completou a nota da PF.

Interferência na PF

No vídeo publicado no final da tarde desta segunda-feira, 17, Nicoletti reconheceu que não teve interferência na operação.

“A operação teve investigação antes do ofício que enviei, claro. Não falei que iniciei a operação, apenas cobrei e fiscalizei o serviço”, disse.

Além da PF, o parlamentar informou ter protocolado ofícios junto ao Ministério Público Federal (MPF), Ministério Público Estadual (MPE) e Tribunal de Contas do Estado (TCE), sobre possíveis irregularidades na Sesau, e chegou a comparar seu caso com o do presidente Jair Bolsonaro.

“Em momento algum disse que eu que iniciei, que houve interferência política. Recentemente o ex-ministro Sérgio Moro também disse que o presidente Bolsonaro estaria interferindo na PF, o que também não ocorreu. O que acontece é o diálogo”, afirmou.

Liberação de mandados pela Justiça Federal

No vídeo, o deputado federal também comentou que a Justiça Federal não estaria liberando à PF os mandados de busca e apreensão, além de não autorizar a quebra de sigilo fiscal e bancários dos investigados.

“A PF investiga, abre-se o inquérito, e o ato que for demandar mandados de busca ou prisão só será executada através de medida judicial. Mas o que ocorre é que a justiça federal não estava liberando mandados de busca, quebra de sigilo fiscal e bancário, e eu, como parlamentar, fui cobrar meu ofício”, comentou.

Indireta a colegas parlamentares

Sem dar nomes, Nicoletti informou que foi procurado para fazer manifestação em frente a Polícia Federal para cobrar a realização de operação do órgão relacionada à Saúde em Roraima. “Muitas pessoas me procuraram para fazer manifestação na frente da PF, mas não deixei”.

Ao lembrar outros colegas parlamentares, também sem citar nomes, o deputado disse que seu único papel foi cobrar agilidade nos trabalhos da instituição.

“O deputado Nicoletti pode entrar na PF, conversar e sair de lá tranquilo, ao contrário de alguns parlamentares da Assembleia Legislativa e alguns senadores, porque se entrarem ficam lá mesmo”, insinuou.

Desmentido e criticado por policial federal

Além da Polícia Federal, um agente do órgão também desmentiu o parlamentar em sua própria postagem nas redes socias sobre a operação Vírus.

“Sem nenhum questionamento à sua atuação parlamentar, só queria deixar registrado aqui que a PF em momento algum da Operação Vírion moveu-se contra a corrupção por instigação ou solicitação desse ou daquele indivíduo. O teor da postagem acima pode passar a impressão de que se não fossem as provocações oficiais de V. Exa. a PF teria ficado de braços cruzados e impassiva diante dos muitos e graves desmandos na nossa saúde pública. A aparente demora na deflagração deveu-se tão somente à necessária prudência na coleta de provas que efetivamente levem à condenação das ratazanas salafrárias do Erário”, comentou o policial.

Nicoletti finalizou o vídeo falando sobre o comentário do policial e afirmou que o agente o interpretou de forma errônea. “Gostaria de dizer para esse policial que pode sim discordar, mas não está falando como instituição. Você é um agente de policial federal, mas isso cabe ao superintendente se posicionar”, rebateu.

Veja o vídeo:

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