Empresário fica calado em depoimento à CPI

Empresário fica calado em depoimento à CPI

Após quatro convocações mal sucedidas pela CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Saúde, da Assembleia Legislativa de Roraima, o empresário Erick Barbosa finalmente prestou esclarecimentos por teleconferência nesta terça-feira (4).

Ele foi citado em depoimentos anteriores por suposto envolvimento em contratos emergenciais firmados pela Sesau (Secretaria Estadual de Saúde).

Um destes processos é o da compra de respiradores, o qual apresenta vestígios de irregularidades.

Durante oitiva, o presidente da CPI, deputado Coronel Chagas (PRTB), apresentou imagens de uma suposta conversa pelo aplicativo WhatsApp entre o empresário e um servidor da Sesau, na qual o contato que seria o de Erick teria apresentado dados bancários e cobrado pagamento antecipado pelos respiradores.

O empresário negou envolvimento nesta compra. “Eu vou responder o seguinte: eu não tenho vínculo nenhum como sócio dessa empresa. Eu não sou procurador dessa empresa. Eu não sou funcionário dessa empresa. Eu não conheço os donos e as pessoas dessa empresa. A partir desse momento, vou preferir permanecer em silêncio”, disse.

Ainda na reunião, o depoente disse que gerencia a empresa Femax, e negou acusações feitas por testemunhas ouvidas pela comissão, como envolvimento com outras empresas, qualquer ligação com ex-secretário de Saúde Francisco Monteiro ou com pessoas da Casa Civil.

Para Coronel Chagas (PRTB), o depoimento do empresário foi frustrante. “Ele se limitou a responder apenas aqueles questionamentos que diziam respeito à defesa da empresa dele particularmente, mas dos casos que é acusado, conforme as testemunhas e as provas colocadas nos autos, ele se reservou ao direito de permanecer calado.”

O relator da CPI, Jorge Everton (MDB), explicou que o depoente está respaldado pelo direito constitucional.

“Ele nega, mas ao mesmo tempo silencia as principais perguntas que foram juntados documentos, cópias de WhatsApp, contatos telefônicos. Ele nega participação com as empresas, mas também se reserva no direito constitucional de permanecer calado.”

Nesta reunião participaram presencialmente o presidente da CPI, Coronel Chagas, vice-presidente Nilton Sindpol (Patri), Renato Silva (Republicanos), Eder Lourinho (PTC) e o relator Jorge Everton (PMDB). O deputado Evangelista Siqueira (PT) participou por teleconferência.

A próxima oitiva está agendada para esta quarta-feira (5), às 9h, com profissionais envolvidos em cirurgias buco-maxilo-faciais, outra área investigada pela CPI devido aos indícios de irregularidades.

Cirurgia

Em depoimento prestado ontem (3), o paciente Edinaldo Rodrigues, de 54 anos, disse para a CPI da Saúde que aguarda por uma cirurgia de buco-maxilo-facial há cinco anos.

Após esse relato, a CPI entrou em contato com o secretário estadual de Saúde, Marcelo Lopes, solicitando a avaliação médica do paciente, para que ele possa ser atendido com urgência.

“Para nossa felicidade, prontamente o Marcelo Lopes, atual secretário de Saúde se colocou à disposição, já pediu o contato do senhor Edinaldo, e para que a rede técnica agende essa consulta urgente”, disse o presidente da CPI, Coronel Chagas.

Segundo o deputado, o secretário esclareceu que outros casos similares ao deste paciente já foram solucionados, e que a expectativa é agendar a cirurgia de Edinaldo Rodrigues o quanto antes.

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