Ouviu falar do CNPJ alfanumérico e não sabe o que muda para quem empreende? A dúvida tem sido comum desde que a Receita Federal anunciou a adoção do novo modelo, cuja emissão começa em 31 de julho. Apesar da novidade, quem já possui um CNPJ não precisará fazer qualquer alteração. O novo formato será destinado apenas às empresas abertas e às novas filiais registradas a partir da implementação.
A mudança foi criada para ampliar a capacidade de geração de novos registros de pessoas jurídicas no Brasil sem a necessidade de aumentar a quantidade de caracteres do documento. O CNPJ continuará com 14 caracteres, mas passará a combinar letras e números, em vez de ser composto apenas por algarismos.
Segundo o analista técnico da Unidade de Atendimento Central e Norte do Sebrae Roraima, Fábio Queiroz, a mudança foi necessária porque o formato atual está próximo do limite de combinações possíveis.
“A Receita Federal decidiu adotar esse modelo porque o formato composto apenas por números está próximo do limite de combinações possíveis. Com o crescimento acelerado de novas empresas e microempreendedores nas últimas décadas, a mudança garante a continuidade da emissão de novos registros sem precisar aumentar o número de dígitos, o que exigiria uma reestruturação muito mais drástica de todos os bancos de dados do país”, explicou.
A implementação ocorrerá em duas etapas. Em 27 de julho, entram em operação os novos sistemas da Receita Federal. Já no dia 31 de julho será emitido o primeiro CNPJ alfanumérico do país.
No entanto, Fábio explica que a mudança será gradual. Isso significa que, mesmo após o início da implementação, algumas empresas ainda poderão receber um CNPJ formado apenas por números.
“A distribuição das letras e números será gerada de forma aleatória pelos sistemas da Receita Federal. Por isso, mesmo depois de julho de 2026, uma nova empresa ainda poderá receber um CNPJ composto apenas por números. A inserção dos caracteres alfanuméricos acontecerá naturalmente conforme as combinações forem geradas”, afirmou.
Quem será impactado?
A principal dúvida entre os empreendedores é se será necessário alterar o CNPJ já existente. Segundo o Sebrae, a resposta é não.
De acordo com o analista, a novidade vale exclusivamente para empresas abertas após a implementação e para novas filiais de empresas já existentes.
“Quem já possui CNPJ não precisa fazer absolutamente nada. Os números atuais continuarão válidos e não sofrerão alterações. A novidade vale apenas para novos registros de empresas abertas após a implementação e novas filiais de empresas já existentes”, destacou.
Outra preocupação frequente é se haverá mudanças no processo de abertura de empresas. Segundo Fábio, a formalização continuará exatamente como ocorre hoje.
“Para quem está abrindo uma empresa, o processo de formalização continua exatamente o mesmo. A jornada na Redesim e na Junta Comercial de Roraima não sofre nenhuma alteração de etapas”.
Na prática, a principal mudança para o empreendedor será a necessidade de utilizar corretamente o novo formato quando ele passar a fazer parte da identificação da empresa.
“Na rotina do empreendedor, a única mudança prática será a necessidade de atenção ao preencher o número do CNPJ em sistemas de fornecedores, bancos ou clientes”, acrescentou.
Atenção aos sistemas
Se para o empreendedor a mudança será pequena, para empresas que desenvolvem ou utilizam sistemas de gestão, emissão de notas fiscais e cadastros o cenário exige atenção.
Segundo Fábio Queiroz, essa é a etapa mais sensível da implementação.
“Qualquer sistema, como ERP, emissor de nota fiscal, CRM, planilhas de controle ou portais de e-commerce que faça validação de CNPJ precisarão ser atualizado. Muitos sistemas antigos usam máscaras de preenchimento rígidas que aceitam apenas caracteres numéricos ou possuem algoritmos de validação configurados apenas para números. Se essas plataformas não forem adaptadas antes do final de julho de 2026, elas apresentarão falhas e não conseguirão cadastrar novos clientes ou emitir notas para novas empresas com CNPJ alfanumérico”, alertou.
Como o Sebrae pode ajudar
Além de orientar empreendedores sobre as mudanças, o Sebrae também oferece suporte para empresas que precisarem adequar seus sistemas.
Segundo o analista, uma das principais dúvidas recebidas atualmente está relacionada justamente ao funcionamento dos emissores de nota fiscal e dos sistemas de gestão.
“O Sebraetec é a nossa principal ferramenta para resolver esse problema. É um programa que conecta a empresa a consultores de tecnologia credenciados, com custos amplamente subsidiados pelo Sebrae. Também promovemos oficinas, palestras gratuitas e eventos para explicar as mudanças regulatórias e orientar os empresários sobre como dialogar com os fornecedores de software para exigir as atualizações necessárias”, explicou.
MEIs representam mais da metade das empresas de Roraima
O tema também é importante para os Microempreendedores Individuais (MEIs), principal porta de entrada para a formalização de negócios no estado.
Atualmente, Roraima possui 24.614 MEIs ativos, número que representa cerca de 51% das 47.962 empresas existentes no estado.
Somente no primeiro semestre de 2026 foram abertas 5.953 empresas em Roraima. Desse total, 4.737 optaram pela modalidade de Microempreendedor Individual, reforçando o papel do MEI como principal porta de entrada para a formalização de negócios no estado.
Tire as principais dúvidas sobre o novo CNPJ
Quem receberá o novo CNPJ?
Empresas abertas e novas filiais registradas a partir da implementação;
Quem já possui CNPJ precisará trocar o número?
Não. Todos os CNPJs atuais continuam válidos;
O processo de abertura de empresa muda?
Não. As etapas de formalização permanecem exatamente as mesmas;
Quando começa a emissão?
O primeiro CNPJ alfanumérico será emitido em 31 de julho de 2026;
O empreendedor precisa fazer alguma coisa?
Não em relação ao cadastro. A recomendação é apenas verificar se os sistemas utilizados pela empresa estão preparados para aceitar o novo formato;
CNPJ para pessoas físicas fica para 2027
A Receita Federal também adiou para 1º de janeiro de 2027 a criação do CNPJ para pessoas físicas prevista na Reforma Tributária. A medida alcança contribuintes do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), como produtores rurais individuais e profissionais autônomos, que passarão a utilizar um CNPJ apenas para fins cadastrais e emissão de documentos fiscais eletrônicos.
Para Fábio Queiroz, o prazo adicional permitirá uma adaptação mais segura dos sistemas utilizados pelos contribuintes e pelos órgãos públicos.
“O adiamento dessa obrigatoriedade traz fôlego e segurança. O governo federal percebeu que tanto os contribuintes quanto as prefeituras e os estados precisavam de mais tempo para adaptar seus sistemas emissores e bancos de dados”, concluiu.




