A Assembleia Legislativa de Roraima divulgou nota oficial manifestando preocupação com a realização da eleição suplementar para governador e vice-governador do Estado, marcada para o dia 21 de junho de 2026, em meio ao período de fortes chuvas que atinge o estado e já afeta comunidades em 10 dos 15 municípios roraimenses.
No documento, o Poder Legislativo estadual afirma que não questiona a importância do processo democrático, mas chama atenção para as condições práticas de acesso às urnas, principalmente em regiões rurais, comunidades indígenas, áreas ribeirinhas e localidades de difícil deslocamento.
Segundo a nota, o período do pleito coincide com a fase de maior intensidade das chuvas em Roraima, quando estradas, pontes e vias públicas costumam ficar comprometidas. A Assembleia cita decretos de situação de emergência em municípios como Uiramutã e Bonfim, além de pareceres técnicos da Defesa Civil Estadual, para sustentar que as precipitações extremas têm provocado isolamento de comunidades e dificultado o direito de locomoção de milhares de eleitores.
A preocupação central da Assembleia é que o cenário climático e logístico possa elevar o índice de abstenção. Em outras palavras: não basta a urna estar disponível; o eleitor precisa conseguir chegar até ela com segurança. E, em Roraima, especialmente no inverno amazônico, esse caminho pode ser mais complicado do que parece no papel.
A eleição suplementar foi marcada pelo Tribunal Regional Eleitoral de Roraima após decisão do Tribunal Superior Eleitoral relacionada à cassação do mandato do governador e do vice-governador eleitos em 2022. O novo pleito será direto e escolherá os ocupantes dos cargos para o chamado mandato tampão.
Na nota, a Assembleia pede que os Poderes constituídos e as autoridades competentes façam uma avaliação contínua das condições operacionais da eleição. O pedido não trata, expressamente, de suspensão ou adiamento do pleito, mas cobra atenção sobre a segurança dos eleitores, a integridade do processo eleitoral e o pleno acesso da população às urnas.
A Justiça Eleitoral, por sua vez, já informou que atua na organização logística da eleição suplementar com apoio das Forças Armadas, justamente para garantir o voto em áreas de difícil acesso. A operação envolve planejamento para transporte de urnas, servidores e materiais eleitorais, considerando a realidade geográfica do estado.
O ponto sensível, agora, é equilibrar duas garantias constitucionais: de um lado, a necessidade de cumprir o calendário eleitoral e assegurar a escolha democrática do novo governo; de outro, o direito real — e não apenas formal — de que eleitores de comunidades isoladas possam votar sem enfrentar riscos ou barreiras praticamente intransponíveis.
Na prática, a nota da Assembleia coloca pressão institucional sobre a Justiça Eleitoral para que a eleição suplementar não seja tratada apenas como uma data no calendário, mas como uma operação complexa em um estado onde a chuva, a distância e a precariedade de acesso podem interferir diretamente na participação popular.



