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Rio Branco entra em alerta e testa capacidade de resposta da Defesa Civil em Boa Vista

 

O aumento do nível do Rio Branco para 8,14 metros, ultrapassando a cota de alerta estabelecida para monitoramento hidrológico, colocou a Defesa Civil Municipal em estado de atenção e reacendeu o debate sobre a capacidade de prevenção e resposta do poder público diante do período mais intenso do inverno roraimense.

Segundo dados da Agência Nacional de Águas (ANA), o rio atingiu a marca nesta segunda-feira (1º), após semanas de chuvas intensas em Boa Vista e em regiões que contribuem para a formação da bacia hidrográfica. A elevação do nível das águas levou a Defesa Civil a reforçar o monitoramento em áreas consideradas vulneráveis a alagamentos e inundações.

O comandante da Defesa Civil Municipal, Jander Cleyton de Medeiros, atribui o cenário à saturação do solo provocada pelo aumento do lençol freático e pelo elevado volume de chuvas, fatores que dificultam o escoamento das águas e ampliam os riscos de enchentes urbanas. De acordo com o órgão, as equipes permanecem mobilizadas para atender ocorrências e realizar remoções preventivas, caso necessário.

Na semana passada, uma família que vivia em uma área sujeita à cheia do Rio Cauamé, entre os bairros Caranã e Cauamé, precisou ser retirada após acionar os serviços municipais. O caso serviu como alerta para a necessidade de acompanhamento constante das áreas de risco durante o período chuvoso.

Desafio recorrente

Embora o monitoramento preventivo tenha sido ampliado nos últimos anos, a elevação do Rio Branco evidencia um desafio histórico de Boa Vista: a vulnerabilidade de comunidades instaladas próximas a rios, igarapés e áreas sujeitas a alagamentos.

O próprio histórico da capital demonstra que as cheias fazem parte da dinâmica natural da região. Em 2025, o nível máximo registrado pelo Rio Branco foi de 8,22 metros, também durante o mês de junho, valor próximo ao observado neste início de temporada chuvosa.

Para especialistas em gestão de riscos, o monitoramento é apenas uma das etapas da prevenção. A eficácia das ações depende também de planejamento urbano, manutenção da drenagem, mapeamento de áreas vulneráveis e rapidez no atendimento às famílias atingidas.

Tecnologia e vigilância

Atualmente, a Prefeitura utiliza pluviômetros instalados em diferentes pontos da cidade, como os bairros Jardim Caranã, Paraviana, São Vicente, 13 de Setembro e Jardim Olímpico. Os equipamentos fornecem informações em tempo real para subsidiar decisões da Defesa Civil e antecipar medidas de resposta.

Além da área urbana, o acompanhamento ocorre na zona rural e em comunidades indígenas, regiões que também podem ser impactadas pelo avanço das águas e pelas dificuldades de acesso durante períodos de chuva intensa.

Atenção da população

A recomendação oficial é que moradores de áreas próximas a rios e igarapés acompanhem os alertas emitidos pelos órgãos competentes e observem sinais como elevação rápida da água, erosões e alagamentos persistentes. Em situações de emergência, a orientação é acionar imediatamente a Central 156.

Com as previsões indicando continuidade das chuvas nos próximos dias, o comportamento do Rio Branco continuará sendo um dos principais indicadores para as ações de prevenção e resposta em Boa Vista, em um período que tradicionalmente exige atenção redobrada das autoridades e da população.

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