A medicina roraimense perdeu nesta semana um de seus maiores nomes. Sumaia Marly Salomão Wilt, considerada a primeira mulher roraimense formada em Medicina, faleceu deixando um legado de avanços, dedicação e pioneirismo que marcou profundamente a história da saúde pública de Roraima. A confirmação da morte gerou grande comoção entre profissionais, familiares e antigos pacientes que fizeram questão de relembrar a importância da médica para o Estado.
Nascida em Boa Vista em 12 de janeiro de 1949, Sumaia era filha de Latife Abdala Salomão e Said Salomão. Em uma época em que poucas mulheres tinham acesso ao ensino superior, especialmente na área médica, ela rompeu barreiras e formou-se em Medicina pela Universidade de Brasília (UnB), em 1974, tornando-se um símbolo de representatividade feminina na Amazônia.
Logo após a formatura, concluiu residência em Clínica Médica na Unidade Integrada de Saúde do Sobradinho, em Brasília, e voltou a Roraima para dedicar sua carreira ao então Território Federal, que dava passos iniciais na estruturação de sua rede de saúde. O retorno à terra natal marcou o início de uma trajetória que atravessaria décadas de serviço público, liderança e compromisso social.
Ao longo dos anos, Sumaia ocupou cargos fundamentais: foi diretora do Pronto-Socorro e diretora clínica do Hospital Coronel Mota, entre as décadas de 1970 e 1980; dirigiu o Banco de Sangue e o Centro Regional de Hemoterapia; presidiu a Junta Médica Municipal e Estadual; e chegou a assumir o cargo de Secretária Municipal de Saúde de Boa Vista, período em que ajudou a organizar e estruturar serviços essenciais para a população.
Sua atuação firme, técnica e ao mesmo tempo humana marcou gerações de profissionais. Quem trabalhou com ela lembra da exigência, da ética e da capacidade de formar equipes em tempos difíceis, quando a saúde pública local ainda engatinhava. Foi também referência para muitas jovens que, inspiradas por seu exemplo, buscaram na Medicina uma carreira possível.
Em reconhecimento ao seu legado, a Câmara Municipal de Boa Vista concedeu-lhe, em 2011, a Medalha de Honra ao Mérito Roi Branco, uma das principais homenagens do município.
A notícia de sua morte encerra um capítulo importante da história da saúde roraimense e provoca reflexões sobre o papel das mulheres pioneiras que abriram caminhos em áreas tradicionalmente masculinas. Sumaia deixa familiares, colegas e admiradores que reconhecem sua vida como sinônimo de coragem e serviço ao povo de Roraima.
A despedida da primeira médica roraimense é também uma homenagem à trajetória de uma mulher que se colocou, durante toda a vida, a serviço da construção do Estado. Sua ausência será sentida, mas sua história seguirá como referência para futuras gerações.



