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Policial militar é preso por manter ex-esposa em cárcere; Ela é advogada e tem Alzheimer

A advogada J. D. F. C. L., de 55 anos, portadora de Alzheimer em estágio avançado foi resgatada nesta sexta-feira pela Polícia Civil em uma chacára no Distrito Industrial onde era mantida em cárcere privado e submetida a condições sub-humanas.

ADEAM (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) e o NI (Núcleo de Inteligência), prenderam preventivamente o policial militar H. F. S., de 50 anos, ex-marido da advogada.

Há quatro meses, familiares denunciavam que a vítima havia desaparecido e indicavam que H. F. S., ex-marido dela, a mantinha isolada e sem cuidados básicos. Mensagens enviadas por ela pedindo socorro não haviam permitido sua localização, dificultando a intervenção policial.

Inicialmente, a delegada plantonista do PCE (Plantão Central Especializado), Carolina Huppes, representou por mandados de busca e apreensão em quatro endereços vinculados ao investigado, todos indeferidos judicialmente. Posteriormente, a Polícia Civil diligenciou nos locais, sem sucesso.

No dia 7 de agosto, uma nova denúncia de uma amiga da vítima e o depoimento por videoconferência de um familiar que reside na Paraíba, com a delegada Kamilla Basto reforçaram a denúncia de desaparecimento e a agressividade do suspeito.

A Polícia Militar foi acionada, mas informou que, apesar de buscas em cinco endereços, não conseguiu localizar o policial, que também não comparecia ao serviço.

Prisão Preventiva

Diante dos agravantes, a delegada Kamilla Basto representou pela prisão preventiva do suspeito, que foi deferida pela Justiça.

Segundo a delegada Clarissa Pinheiro, nesta quinta-feira, com informações do Núcleo de Inteligência, a Polícia Civil identificou um possível endereço do suspeito em um sítio no Distrito Industrial.

O suspeito, ao tomar conhecimento da ação policial, fez contato para se entregar e também para apresentar a vítima. Ele foi localizado e preso no escritório de seu advogado, no bairro Cauamé.

A vítima apresentava múltiplos hematomas, ferimentos, sinais de desnutrição e extrema fragilidade física e emocional. Segundo o suspeito, as lesões seriam decorrentes de quedas e de momentos em que teria contido a vítima, alegando ainda que ela era agressiva com ele.

Ele afirmou que a ex-mulher estava com ele havia apenas 15 dias, período em que, segundo ele, se hospedavam em hotéis por falta de mobília na chácara.

Disse também que a vítima havia sido despejada do local onde morava anteriormente por reclamações de vizinhos sobre maus-tratos a animais e que ela ajudava a custear despesas, incluindo alimentação dos animais e reparos de um carro.

A advogada foi inicialmente acolhida na Casa da Mulher Brasileira, recebeu atendimento psicossocial, alimentação e cuidados imediatos, e, posteriormente, foi entregue a amigas próximas, que lhe ofereceram acolhimento temporário. Ela é ex-integrante do CHAME (Centro Humanitário de Apoio à Mulher), onde atuou como advogada.

Ele nega as acusações de cárcere privado e maus-tratos à vítima, atribuindo seu estado à condição de saúde e alegando que sempre a alimentou. A investigação prossegue.

Maus tratos a animais

No local, foram encontrados vários animais entre gatos e cachorros, em condições deploráveis, debilitados, magros e feridos, o que resultou no acionamento da equipe do ICPDA (Instituto de Criminalística Perito Dimas Almeida) e da DPMA (Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente), sob a coordenação da delegada Maryssa Batista. A perícia criminal confirmou que, ao todo, eram 60 animais encontrados no local.

O policial militar foi, também, autuado em flagrante por crimes de maus-tratos a animais pela Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente. Uma equipe da SEMA (Secretaria Municipal do Meio Ambiente) esteve no local em que estavam os animais e multaram o policial militar.

Segundo a delegada Maryssa Batista, os animais permaneceram no local e serão atendidos por voluntários que se comprometeram em cuidá-los.

“Não há nem no Estados e nem no Município um local apropriado para o acolhimento dos animais encontrados nestas condições e eles serão, neste caso, acompanhados por voluntários”, disse a delegada Maryssa Batista.

 

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