A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (30), a Operação Caixa Preta, voltada à apuração de um suposto esquema de crimes eleitorais em Roraima, envolvendo nomes de peso do MDB Roraima e de instituições nacionais.
A Operação Caixa Preta da Polícia Federal investiga um suposto esquema de crimes eleitorais em Roraima, envolvendo nomes de peso do MDB e de instituições nacionais como o DNIT e a CBF. A ação, deflagrada na manhã desta quarta-feira (30), cumpre mandados de busca e apreensão e bloqueio de R$ 10 milhões em bens dos investigados.
Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços ligados à deputada federal Helena Lima (MDB), ao presidente do DNIT, Igo Brasil, e do presidente da CBF, Samir Xaud, além de empresas e residências associadas aos investigados.
A Operação ocorreu dois dias depois do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Samir Xaud se reunir com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A reunião foi noticiada pelo site oficial do governo federal que apagou a notícia logo após a operação.
A investigação começou após a apreensão de R$ 500 mil em espécie. A PF realizou a operação em setembro de 2024, pouco antes das eleições.
Na ocasião, seis pessoas foram presas em flagrante, entre elas o empresário Renildo Lima, do setor de transporte interestadual, marido da deputada Helena Lima. Ele teria sacado os R$ 500 mil pouco antes da abordagem policial. Também foram detidos dois policiais militares do BOPE que faziam segurança particular para o grupo.

Mandados e bloqueio milionário
Ao todo, foram cumpridos 10 mandados de busca e apreensão em Roraima e no Rio de Janeiro, além do bloqueio judicial de R$ 10 milhões em contas ligadas aos investigados.
A operação teve como foco a apuração da origem e destino do dinheiro apreendido, bem como a possível existência de um esquema de financiamento eleitoral irregular.
De acordo com a PF, a ação foi desencadeada após o banco responsável pelo saque do dinheiro comunicar movimentações suspeitas em plena campanha eleitoral.
O Disque-Denúncia também recebeu relatos anônimos apontando para um possível esquema de compra de votos e caixa dois.

Helena Lima: “Não vou me calar”
Em vídeo publicado nas redes sociais dias antes da operação, a deputada Helena Lima demonstrou indignação com as informações de que teria sido alvo de mandados de busca e apreensão. Ela questionou a motivação da operação e afirmou que sua trajetória é marcada pela transparência e pelo compromisso com o trabalho público:
“Circulam informações de que poderia haver uma operação da Polícia Federal em minha casa, onde eu moro com a minha família, conquistada com muito suor do meu trabalho. E eu pergunto: por quê? Qual seria a motivação? Eu não respondo a nenhum processo, nunca fui sequer chamada para prestar esclarecimentos em nenhuma instância”, afirmou.
Helena também sugeriu que o fato de ser mulher e ter seu nome cogitado para uma possível candidatura ao Senado Federal pode ter incomodado adversários políticos.
“Será porque eu sou mulher? Ou porque meu nome foi cogitado como possível candidata ao Senado Federal? Porque quando mulheres ousam ocupar espaços de poder, elas incomodam. Eu não vou me curvar. Eles querem me intimidar, destruir minha reputação, mas não vou me calar”, declarou.
Veja o vídeo:
CBF e Samir Xaud: “Não somos o centro das apurações”
A CBF também divulgou nota oficial nesta quarta-feira (30), após a Polícia Federal cumprir mandados de busca na sede da entidade, no Rio de Janeiro. A operação teria como alvo, entre outros, o presidente Samir Xaud.
A entidade confirmou a presença dos policiais na sede, mas reforçou que o presidente não é o foco principal das investigações:
“A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) informa que recebeu agentes da Polícia Federal em sua sede entre 6h24 e 6h52 desta quarta-feira, num desdobramento de investigação determinada pela Justiça Eleitoral de Roraima. É importante ressaltar que a operação não tem qualquer relação com a CBF ou com o futebol brasileiro, e que o presidente da entidade, Samir Xaud, não é o centro das apurações.”
A nota também destacou que nenhum equipamento ou documento foi levado pelos agentes:
“A CBF esclarece que, até o momento, não recebeu nenhuma informação oficial sobre o objeto da investigação. Nenhum equipamento ou material foi apreendido. O presidente Samir Xaud permanece tranquilo e à disposição das autoridades para quaisquer esclarecimentos que se façam necessários.”


