A Polícia Federal (PF) prendeu, na manhã desta sexta-feira (18), o major aposentado da Polícia Militar de Roraima (PMRR), Ney Raimundo Alvarez Sampaio, acusado de integrar uma rede de comércio ilegal de armas e munições.
Outras duas pessoas também foram detidas durante a Operação Bellum Aurum, deflagrada para desarticular um grupo que abastecia garimpos ilegais em terras indígenas. Um deputado estadual, ligado as forças militares de Roraima, está sendo investigado nesta mesma operação.
Além das prisões, a PF cumpriu cinco mandados de busca e apreensão em diferentes nos bairros Buritis e senador Helio Campos, na capital Boa Vista.
De acordo com as investigações, parte significativa do armamento negociado pelo grupo tinha como destino áreas de garimpo na Terra Yanomami, uma das regiões mais afetadas pela mineração ilegal.
A ação desta sexta-feira é um desdobramento da Operação Munição Inflamável, realizada em março deste ano, que já havia colocado o major aposentado na mira da PF. As apurações indicam que, além de armas e munições, os suspeitos forneciam suporte logístico aos garimpeiros, incluindo o envio de combustíveis e outros materiais essenciais à atividade ilegal.

Contexto de violência nos garimpos
A presença de grupos armados em áreas de mineração ilegal tem alimentado um cenário de violência. Em dezembro de 2024, o ex-PM Gilson Viana, conhecido como Mutum, foi morto a tiros após uma briga em um bar dentro da área de garimpo. Foragido da Justiça, Mutum era considerado um dos pistoleiros mais temidos de Roraima e apontado como responsável por ao menos dez homicídios no estado.
Um levantamento do Ministério Público de Roraima (MPRR) revela a dimensão do problema: nos últimos cinco anos, denúncias e relatórios de inteligência apontaram o envolvimento de pelo menos 100 policiais militares com atividades ligadas à mineração ilegal.
Nota da PMRR
Em nota, a Polícia Militar de Roraima afirmou não ter sido oficialmente comunicada sobre o cumprimento do mandado de prisão contra o major aposentado no âmbito da Operação Bellum Aurum. A instituição destacou que acompanha o caso e que “adotará todas as medidas cabíveis para colaborar com as investigações, assegurando o rigor da lei e a transparência nas apurações”. A PMRR também reforçou seu compromisso com a legalidade e os valores éticos da corporação.



