Prefeitura derruba quase 20 casas e deixa mulheres e crianças desabrigadas

Prefeitura derruba quase 20 casas e deixa mulheres e crianças desabrigadas

Pela segunda vez este ano,  servidores da Prefeitura Municipal de Boa Vista (PMBV), derrubaram nesta terça-feira (18) mais de 18 casas da ocupação espontânea ‘Beira do Rio’, no bairro Treze de Setembro, nas proximidades do rio Branco. Cerca de 40 brasileiros e estrangeiros viviam na área, metade deles crianças.

As famílias, que eram assistidas pela Operação Acolhida, agora estão desalojadas e sem perspectivas de moradia. Algumas ficarão na rua e outras se juntarão para tentar o aluguel solidário.

Segundo a coordenadora do Centro de Migrações e Direitos Humanos (CMDH), da Diocese de Roraima, Irmã Telma Lage, a Prefeitura, sem diálogo nenhum com o Exército e a sociedade civil, sem oficial de justiça e nenhum documento oficial, passou as máquinas derrubando as casas.

“Agiram de forma ilegal e arbitrária. Todos estavam dentro do plano de realocação da Operação Acolhida, ou seja, era questão de tempo que alguns seriam interiorizados, outros aguardavam outras alternativas, como o aluguel”, explicou.

Irmã Telma ainda ressaltou que os servidores da PMBV nem esperaram as pessoas retirarem os seus pertences. Um vídeo publicado nas redes sociais da religiosa mostra claramente a situação. O vídeo ganhou muitos compartilhamentos e manifestações de apoio ao CMDH de pessoas de vários lugares do país.

“Em meio a uma pandemia, nomeada capital da primeira infância, que cuidados essa Administração Pública tem para pessoas que vivem em extrema vulnerabilidade? O slogan “Muito amor envolvido”, da administração pública, não é aplicado nas vidas e situação das pessoas vulnerabilizadas” indagou irmã Telma.

A advogada já adiantou que o despejo ilegal foi fotografado, filmado e que todas as informações serão utilizadas para responsabilizar a Prefeitura pela ação irregular.

A brasileira Lucineide, uma das pessoas sem casa, relatou que desde janeiro morava na ocupação Beira do Rio. Ela conta que tinha um documento assinado por possíveis donos, chamados Eros e Bruno Magalhães, ambos irmãos, que se diziam donos do terreno.

“Já tinha construído uma casa com dois quartos, dois banheiros, sala, cozinha, mas tive meu imóvel abaixo. Não recebemos nenhum aviso para desocupar. Fico indignada com tudo isso. Fomos pegos de surpresa. E essas pessoas, que se diziam donas, nos enganaram. Eu quero justiça, pois não tenho para onde ir”, frisou.

Cerca de 40 brasileiros e estrangeiros viviam na área, metade deles crianças. (Foto: Ascom/CMDH

OUTRO LADO – O site Política Macuxi enviou demanda para a prefeitura e aguarda retorno.

Veja o vídeo:

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